Reverberação
Adoptamos aqui um conceito muito lato: a reverberação consiste na produção de réplicas mais ou menos idênticas ao som original, emitidas em curto espaço de tempo (menos de 50 milisegundos de intervalo); quando produzida por meios naturais, as réplicas devem-se à reflexão do som original nas superfícies do espaço circundante. Exemplos bem conhecidos são a reverberação das catedrais, dos espaços cavernosos e dos túneis.
O ouvido humano tem a capacidade de perceber a presença de réplicas que chegam com atraso de milésimos de segundo em relação ao som principal, mas quando esse intervalo aumenta alguns milésimos de segundo, a percepção entende as réplicas de forma diversa. Por outras palavras, as réplicas do som original podem ser entendidas como uma unidade (atraso de 1 a 5 ms), como a reverberação própria da sala (atraso de 10 a 50 ms) ou como um eco (mais de 50 ms). Note-se que os valores apontados são aproximados, porque os limiares de percepção variam consoante a qualidade harmónica e compósita dos sons – por exemplo, no caso de sons do tipo «clique», se uma réplica nos chega com mais de 50 ms de atraso, entendemo-la como um eco, mas no caso da fala e dos sons musicais complexos pode ser necessário um atraso de 100 ms ou mais para deixarmos de entender o som e suas réplicas como um todo e os percebermos como um eco, ou seja, como sons distintos.
A reverberação prolonga-se durante um tempo que depende da energia inicial do som emitido, da amplitude do espaço e da capacidade reflectora das superfícies circundantes, além de outras condições de envolventes. Quando o espaço é muito reverberante (isto é, quando as paredes são muito reflectoras), as réplicas podem fazer sucessivamente pinguepongue nas paredes, chão e tecto, prolongando-se bastante após a extinção do som original. Um excesso de reverberação prejudica a inteligibilidade dos sons, nomeadamente da fala, visto que o atraso das réplicas encavalita as sílabas anteriores na sílaba actual e provoca cansaço no ouvinte, que não consegue evitar o esforço instintivo de deslindar a barafunda acústica gerada por um amontoado de réplicas desfasadas. Além disso, anula grande parte da capacidade de localização das fontes sonoras.
Reverberação: som original e suas réplicas. A primeira coisa que ouvimos é o som directo. Seguem-se as réplicas produzidas pela reflexão do som original nas superfícies circundantes. Esta segunda vaga de sons tem duas fases distintas: 1) as primeiras reflexões, que, embora sejam percebidas como um todo, podem ser graficamente representadas por impulsos distintos; 2) segue-se uma vaga de réplicas cada vez mais próximas entre si, até formarem uma massa sonora indistinta. [Figura extraída do manual de AAS, Strum GS-2, consultado em 13/11/2021.]
Onda estacionária ou eco flutuante
Quando as ondas sonoras embatem numa superfície, ocorrem vários fenómenos:
- Uma parte da energia sonora é absorvida; o som pode extinguir-se, ser filtrado, colorido, etc., consoante as propriedades da superfície em questão e a sua capacidade de absorção.
- Se sobrou energia suficiente, a onda sonora é reflectida e continua o seu caminho, como uma bola que embate numa parede e segue em direcção simétrica à que trazia.
Se o espaço envolvente tiver uma disposição propícia – por exemplo, um vale entre montes –, pode acontecer que a onda sonora percorra um longo caminho e após sucessivos ricochetes regresse ao ponto de origem – estamos nesse caso perante o fenómeno bem conhecido do eco.
Imaginemos, contudo, que temos duas paredes paralelas onde a onda sonora incide perpendicularmente. Nesse caso as sucessivas réplicas percorrem sempre o mesmo caminho – não mudam de direcção e encavalitam-se sobre a onda anterior. Se, além disso, por coincidência a distância entre as duas paredes for igual ou múltipla do comprimento de onda do som original, dá-se um fenómeno peculiar: a energia da onda reflectida soma-se à energia dos seus reflexos anteriores e o som das réplicas, em vez de ir esmorecendo, aumenta ou pelo menos mantém-se durante mais tempo que o expectável. Assim se explica que os melhores sistemas de isolamento com vidro duplo (por exemplo nos estúdios de som) nunca tenham dois vidros paralelos, pois isso poderia criar ondas estacionárias e amplificar certas frequências.
O estudo das ondas estacionárias é muito importante na construção de auditórios, de forma a impedir que certas frequências decaiam rapidamente, enquanto outras são potenciadas pela própria sala, devido à formação de ecos flutuantes.
Nos circuitos electrónicos, por exemplo num palco com microfone e colunas de amplificação, pode dar-se um fenómeno equivalente: o som é recebido pelo microfone, transmitido aos altifalantes e daí regressa ao microfone, acabando por criar um sistema de realimentação infinito que apenas termina quando o amplificador atingir o limite da sua capacidade e arder, ou quando os altifalantes se rasgarem por sobrecarga de energia, ou … quando uma alma caridosa desligar o circuito electrónico.
Espaço anecóico ou campo aberto
Trata-se de um espaço artificialmente construído, sem correspondência na Natureza e onde não existe reverberação em nenhuma das suas variantes.
Páginas irmãs
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